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Curitiba: centro da resistência democrática

Em ato perto da sede da PF, construída no governo Lula, lideranças políticas levantam o astral da militância e mandam recado ao ex-presidente. Depois, Manuela D'Ávila foi agredida por um eleitor de Bolsonaro

Publicado: 10 Abril, 2018 - 05h22

Escrito por: : André Accarini

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“O presidente Lula está ali e está nos escutando”, disse o senador Lindberg Faria (PT-RJ), a cem metros do prédio da Polícia Federal, em Curitiba, no ato que comandou na manhã desta segunda-feira (9), com a participação de lideranças políticas, como os deputados Paulo Pimenta (PT-RS), Patrus Ananias (PT-MG) e a pré-candidata à presidência da República pelo PC do B, Manuela D´Ávila.
 
O volume alto da caixa de som, com a exata intenção de fazer chegar os recados aos ouvidos de Lula, animaram a militância que está acampada no local e não pretende arredar pé até que Lula esteja livre.
 
“Presidente, nós não vamos te deixar só. Vamos lutar até o fim porque o Brasil precisa de você. O povo mais pobre precisa do Lula. Mulheres e homens estão aqui fazendo história e está vindo gente do Brasil inteiro”, destacou o senador Lindberg.
 
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do partido na Câmara, também mandou seu recado à militância que participa do acampamento: “Tenho certeza que vocês, que estão aqui neste momento, representam milhões de brasileiros e de pessoas de todo o mundo que gostariam de estar junto conosco”.
 
Pimenta reforçou o discurso feito pelo ex-presidente no sábado (7), dia em que anunciou, durante ato ecumênico em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, que cumpriria a decisão judicial. “Estamos aqui para provar que é impossível aprisionar uma ideia. Os ideais de Lula estão presentes conosco, na nossa voz, nosso coração e nossa alma”.
 
Ele lembrou que em vários países foram realizados atos para denunciar a “perseguição odiosa e a prisão ilegal do ex-presidente”.
 
“Um inocente preso, detido, porque representa uma ameaça aos poderosos, à Globo, ao capital financeiro, à elite brasileira, que nunca aceitaram, por causa do preconceito, que um pobre chegasse ao poder, que um retirante nordestino se transformasse no maior líder da história desse país e do mundo”, disse o deputado.
 
O ex-ministro do Desenvolvimento Social no governo Lula e atual deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) também esteve presente no ato. Ele denunciou o estado de exceção no Brasil, agravado com a prisão política de Lula.
 
“Temos de ter a consciência de que vivemos um golpe. Um golpe dado pelos interesses de grandes grupos econômicos e de países poderosos que não querem que o Brasil se afirme como uma nação soberana, socialmente justa e comprometida com a preservação das suas riquezas”.
 
Lute como uma garota
 
A pré-candidata do PC do B à presidência da República, Manuela D´Ávila, fez críticas ao juiz federal Sérgio Moro: “pequeno, vaidoso, fala com ‘pompa’, mas não quer abrir mão de seu auxílio-moradia; a preocupação [de Sérgio Moro] com o povo é zero”.
 
Manuela também chamou à reflexão aqueles que não apoiam Lula: “não há brasileiro, seja de qual lado for, que não saiba, do fundo da sua consciência, que Lula é um preso político”.
 
Ela encerrou o ato conclamando a sociedade, estudantes, trabalhadores e trabalhadoras, à luta pelo retorno da normalidade democrática no país. “Não podemos nos calar em nenhum um dia sequer enquanto Lula estiver preso”, disse.
 
Violência contra Manuela
 
Depois da entrevista, Manuela foi agredida por um eleitor de Bolsonaro. Antes, o agressor se aproximou e tirou uma selfie com a deputada.
 
No áudio abaixo, a parlamentar pede a identificação do sujeito. “O problema é que ele voltou escoltado pela polícia. Eu estava tentando fotografá-lo, porque eles têm a obrigação de falar quem ele é, pois eu posso deduzir que ele é o carcereiro. Isso é muito grave”, critica Manuela.
 
Se não fosse Lula, prédio da PF não existiria
O prédio da Superintendência da Polícia Federal, onde se encontra o ex-presidente e onde estão ocorrendo os atos políticos contra a prisão política do maior líder popular do país, não existiria se não fosse Lula. A sede foi construída durante o seu governo como parte da política de fortalecimento da Polícia Federal e de combate à corrupção.
 
O diretor-geral da Polícia Federal à época, Paulo Lacerda, disse em entrevista a um jornal de São Paulo, que Lula autorizou a destinação de recursos para o programa de modernização da PF, que vinha sendo solicitado desde o governo FHC.
 
Segundo ele, a Superintendência da PF do Paraná, que funcionava em uma casa no centro de Curitiba, não tinha espaço e vários órgãos funcionavam em outros endereços.
 
Além de um empréstimo para construir o novo prédio, “Lula melhorou o orçamento da PF e foram comprados em seu governo o que havia de melhor em equipamentos para os institutos de criminalística e de identificação”, disse Lacerda.
 
Dentro do mesmo programa de modernização engavetado no governo FHC e implementado no governo Lula, foi construída a delegacia de Foz do Iguaçu, a maior do país, que também funcionava em uma casinha.
 

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